Sobre

Era madrugada do dia 2 de janeiro de 2017 quando tive um encontro inesperado. Em meio a uma galera que curtia um reggaezinho na beira do rio em Itaúnas (ES), cidade das dunas e do forró, no litoral capixaba, meu falecido pai surgiu caminhando em minha direção.

O corpo dele não era sólido. Era meio translúcido, um plasma, quase um fantasma. Não que fosse algo macabro, pelo contrário. Tava tranquilo, bonito. Sentou ao meu lado e me deu um abraço longo, de uns cinco minutos ou mais. Difícil precisar o tempo. Apesar de não ser um corpo físico, abracei de volta.

Quando conto essa história, muita gente pergunta: “Mas, vem cá, você não estava louco?’’; “Cê não tinha bebido um bocado, não, amigo?’’;“Ô Adriano, será que você não sonhou?’’

O ceticismo não me incomoda. Antes da experiência, eu também tinha o hábito de questionar esse tipo de coisa. Mas, na real, não importa muito saber se foi ou não foi.

Eu vi, eu senti. Foi transcendental, um momento único e especial na minha vida. E aquilo me mudou. Desde sua morte, muitas das minhas opiniões arrogantemente formadas caíram por terra. Revi conceitos, a forma como encaro a vida e a morte, o pragmatismo com que eu planejava meu futuro e minhas relações com as pessoas.

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Maneo, meu pai, e um periquito que pousou de surpresa em suas costas

O encontro inesperado serviu para que eu tomasse coragem de levar adiante uma ideia que há tempos rondava meus pensamentos: viajar sem rumo, sem datas marcadas, contando com a bondade das pessoas e deixando que o destino desenhasse meu caminho. É o que estou fazendo neste momento.

Tendo alguns lugares como referência, parti em fevereiro de 2017 em uma jornada pelo Brasil com o objetivo principal de conhecer, entender e registrar como a Gente Brasileira vive. Esses meus encontros vão ser publicados aqui, mas também vai ser possível acompanhar mais sobre a jornada pelo Facebook e Instagram.

Chamo de jornada pois, segundo ouvi, em uma jornada não sabemos para onde vamos, quando vamos, com quem ou o quê vamos encontrar e tampouco como ela vai nos transformar. Busco transformação, disso eu sei.

Em São João da Chapada (MG)
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