Inundações obrigam centenas de ribeirinhos a deixar casas, novamente, no Rio Madeira pós-hidrelétricas

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Casas destruídas após inundação em 2014. Foto: Adriano Maneo.

Quase não se vê notícia por aí, mas comunidades ribeirinhas inteiras ao longo do Rio Madeira, estão sendo obrigadas a deixar suas casas para trás devido a mais uma inundação devastadora. Neste mês, só na comunidade de Nazaré, a cerca de 200 km de Porto Velho, mais de 500 pessoas tiveram que abandonar seus lares e seguir para terra firme.

Autoridades de Porto Velho afirmam já ser a terceira maior enchente da história da região. A cidade de Porto Velho também tem diversos pontos de inundação.

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Fotos enviadas pelos ribeirinhos da comunidade de Nazaré, Rondônia. 

Alguns seguem para Porto Velho, outros improvisam barracas de lona na parte mais alta da comunidade, levando em pequenos barcos o essencial e objetos de valor, como geladeiras.

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Barco de refugiados da enchente no Madeira leva manivas para garantir o plantio pós-inundação

O caos que remonta ao que ocorreu em 2014, quando uma inundação sem precedentes alagou casas inteiras, expulsou gente de seus lares, destruiu roçados, aterrou matas, matou animais e mexeu com a vida de toda a região, não era comum até a construção das usinas hidroelétricas de Santo Antônio e Jirau, em funcionamento desde 2012 e 2013, respectivamente.

Leia aqui reportagem do Gente Brasileira sobre a comunidade de Nazaré e a inundação de 2014

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Fotos tiradas na seca mostram as marcas da inundação de 2014 nas casas em Nazaré. Foto: Adriano Maneo.

Segundo Iremar Antônio, do Instituto Madeira Vivo, “a inundação está tomando conta de toda a região, novamente. Não chegou ainda na altura de 2014, mas os efeitos já são os mesmos”.

Sua roça, assim como a de outros riberinhos, já está completamente embaixo d’água e morrendo. O posto de saúde também está alagado.

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Iremar Antônio colhendo legumes em sua roça na época da seca. A área está inteira alagada. Foto: Adriano Maneo.

Iremar diz que o aumento do volume das águas já não pode mais ser considerado como uma cheia anual, comum na região na época das chuvas, mas sim uma inundação.

“Vai inundando e não vai embora rápido, fica por mais de mês e detona tudo. Quando tinha as cheias normais isso não acontecia, e ficava no máximo poo uma semana. Logo se dissipava, agora não. É coisa de mais de mês, por isso a gravidade da situação”.

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Fotos tiradas pelos ribeirinhos de Nazaré mostram a gravidade da situação.

Márcia Mura, moradora de Nazaré, liderança indígena e professora da escola estadual de ensino fundamental e médio afirma que “as enchentes sempre fizeram parte da vida das pessoas que vivem nas margens dos rios. O que esta acontecendo é que esta vindo antes do tempo, o que passou a acontecer somente depois da construção das hidroelétricas.”

Essa é uma percepção quase unânime entre os ribeirinhos. Confira na história Alagados e Desbarrancados: a Força Beradeira no Madeira, um pouco da história da região e os efeitos da inundação catastrófica de 2014.

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Na seca, o rio fica distante. Neste ano,  o Madeira subiu 18 metros. Foto: Adriano Maneo.

 

 

 

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