GENTE VENEZUELANA | O reencontro de Reina e Fran

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O casal venezuelano, Reina e Fran, e seus filhos, agora moradores de Pacaraima. Foto: Adriano Maneo.

Encontrei Reina e Fran na rua principal de Pacaraima. Ele estava oferecendo câmbio para as pessoas. Ela, junto de um grupo, estava organizando uma rifa para juntar algum dinheiro.

Reina é mais uma das mulheres que conheci que deixaram suas vidas na Venezuela para conseguir atendimento básico para seus filhos recém nascidos, ou que ainda estão por nascer.

Confira abaixo o relato dos dois:

REINA MARCANO, 31, CONTADORA

“Meu bebê nasceu em outubro do ano passado e, na Venezuela, não havia vacinas, não havia medicamento. O que tinha era muito caro, então deixei meu emprego de contadora pública e vim para cá. Tenho dois filhos, e deixei tudo minha casa meu trabalho e vim encontrar meu companheiro, que já estava morando aqui há quatro anos.

Aqui se resolve o dia a dia e dá para viver. Lá não. Mesmo sendo um profissional com dois empregos não dava. Queremos ficar por aqui, colocar as meninas no colégio.

Dá vontade de voltar, mas todo mundo que está lá diz para não fazer isso. Pelas crianças, por várias situações. E, se eu voltar, volto sem casa, sem trabalho. Voltar para casa de meus pais é um retrocesso bem complicado.”

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Nota de 500 bolívares, que hoje valem por volta de R$ 1. Foto: Adriano Maneo.

 

FRAN MENDOZA, 33, ADMINISTRADOR

“Morávamos juntos, mas eu vim só para cá, faz uns quatro anos, bem no começo de tudo.

Na Venezuela, eu era administrador em um centro comercial em Caracas.

Conheci Reina e fui com ela para Maturín. Compramos uma casa, um carro, mas a situação ficou ruim e tive que vir para o Brasil.

Por aqui eu trabalhava de tudo. Cheguei pesando 60kg e agora já ganhei quase 20kg.

Trabalho assessorando quem chega por aqui, com câmbio, ajudo com regularização de veículos, arrumo passagens pra boa vista Manaus. E com isso ganho muito mais do que na Venezuela.

Aqui eu pago R$ 300 de aluguel, lá eu não pagava. Também não pagava água, luz, mas aqui nunca falta.”

 

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